Documentos para a História Linguística do Brasil Colônia: Cartas dos Índios Camarões Escritas em Tupi Antigo (1645)
Conferencista
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Alícia Duhá Lose

Alícia Duhá Lose
Doutora em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com Pós-Doutoramentos em Letras (Filologia), pela UFBA; em História (Relações Internacionais), pela Universidade de Brasília (UnB), e em História da Cultura Escrita, pela Universidade de Évora (UE). Professora Titular do Setor de Filologia do Instituto de Letras e Professora Permanente dos Programas de Pós-Graduação em Língua e Cultura, da UFBA, e em Estudos Linguísticos, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). É Bolsista de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Foi Bolsista do Programa Professor Visitante Sênior da CAPES (PVEx-Sênior), no Centro de História da Sociedade e da Cultura (CHSC) da Universidade de Coimbra. É membro presidentedo Centro de Pesquisa e Documentação Paleográfica (CEPEDOP) do Memória e Arte. É líder do Grupo de Pesquisa Modus Scribendi – Grupo de Pesquisas Paleográficas, Filológicas e Históricas (CNPq-UFBA) e membro dos Grupos de Pesquisa em Crítica Textual, da Fundação Biblioteca Nacional (CNPq-FBN), do Metamorphose – Materialidade e interpretação de manuscritos e impressos da Época Moderna (CNPq-UnB) e do CE-DOHS – Plataforma de Corpus Eletrônico de Documentos Históricos do Sertão (CNPq-UEFS). Coordenadora do Projeto ALFAL 25 Para a História Linguística do Brasil Colônia. É Investigadora colaboradora do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas Europeias (CLEPUL), da Universidade de Lisboa (UL); do Centro de Estudos Globais, da Universidade Aberta de Portugal (UAB); e do Centro de Estudos Interdisciplinares – CEIS20, da Universidade de Coimbra. É também membro-fundadora da Rede Internacional Memórias, Identidades e Património Cultural (RMIPC) e membro da Comissão Científica Internacional do Projeto Pombalia – Pombal Global.
Moderador(a)
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David Barbuda

David Barbuda
Docente do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Tem como especialidade de pesquisa a História dos Povos Indígenas na Ibero-América entre os séculos XVI e XVIII. Atualmente, desenvolve residência pós-doutoral, na mesma instituição, com um projeto acerca das elites indígenas no Estado do Brasil e no Vice-reino do Peru, com bolsa financiada pelo CNPQ. Desde 2017 é pesquisador associado ao Centro de Estudos sobre a Presença Africana no Mundo Moderno (CEPAMM/UFMG).
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Documentos para a História Linguística do Brasil Colônia: Cartas dos Índios Camarões Escritas em Tupi Antigo (1645)
A presente conferência apresentará o volume 1 da Série “Documentos para a História Linguística do Brasil Colônia”, coordenada por Zenaide Carneiro, Mariana Fagundes e Alícia Lose, resultado de pesquisas desenvolvidas no âmbito do projeto Corpus Eletrônico de Documentos Históricos do Sertão (CE-DOHS/NELP-UEFS), em parceria com o Grupo Modus Scribendi (UFBA). O referido volume – de autoria de Eduardo Navarro, Alícia Lose, Bruna Carneiro, Mariana Fagundes e Zenaide Carneiro – traz à luz a “Transcrição e tradução integral das Cartas dos Índios Camarões em Tupi Antigo (1645)”. Apresentam-se ao público seis cartas redigidas, entre agosto e outubro de 1645, por indígenas potiguaras da família Camarão, que se aliaram a portugueses e batavos durante a Insurreição Pernambucana. Esses documentos foram transcritos, editados, traduzidos e analisados por meio de uma abordagem interdisciplinar, que articula olhares paleográficos, filológicos, sócio-históricos e linguísticos. A publicação das cartas dos índios Camarões representa um avanço significativo para os estudos sobre a história indígena no Brasil colonial, ao colocar em evidência a voz dos próprios agentes históricos envolvidos nos processos de guerra, aliança e negociação com as monarquias europeias. Trata-se de fontes excepcionais, que permitem uma abordagem mais equilibrada e crítica sobre o papel dos povos originários na conformação do mundo colonial. Ao reconhecer a complexidade das ações indígenas e suas múltiplas formas de inserção no contexto da Insurreição Pernambucana, a obra em destaque nesta conferência contribui para a superação de paradigmas historiográficos que, por muito tempo, silenciaram ou deslegitimaram tais experiências. Em última instância, a leitura dessas cartas convoca à reflexão sobre as formas de agência indígena e sobre os caminhos possíveis de uma história mais inclusiva, plural e fiel à diversidade de vozes que compuseram o Brasil em sua formação.